Tenho que encontrar o rosto Dele à minha volta, nos irmãos e irmãs!...
Ontem falei da Cláudia.
Hoje quero falar da Soraia!
Tal como a Cláudia, a Soraia tem, agora, 15 anos e, tal como o irmão Andarilho diz, ela também já aprendeu a dançar o "Tango do Aleluia".
Jesus disse ao paralítico:
Pega na tua cama e anda. Os teus pecados estão perdoados.
Esta menina/adolescente começou, a partir do sétimo ano a sentir coisas estranhas: dores nas articulações.
Diagnóstico: artrite reumatóide, que não mata , mas mói. E de que maneira!...
Onde mais se nota é nas mãos.
Mãos que começam por fazer inflamações, com grandes inchaços, nas articulações e que se fecham para não mais abrir.
Não escreve, não consegue vestir-se. Está dependente de terceiros.
Ao contrário da Cláudia, que sofre, mas tudo faz para que não se veja, a Soraia chega a ser inconveniente com todos. Tornou-se agressiva, "má", vingativa.
Pergunta muitas vezes: Porquê a Mim?
Tal como o cego de nascença:
Quem pecou? Ele ou os pais dele?
Estabelecem-se todos os contactos. Recorre-se à DREN.
Promessas.
Talvez o computador!
Ingénua! É fácil prometer.
E cumprir?
Isso vai ficar para as "Calendas gregas".
Enquanto isso, ela desespera. Sente-se injustiçada, vilipendiada.
Então como fazer?
Não vou dizer como, mas, embora emprestado, teve o computador!
A partir de então, ganhou novo folgo, arregaçou as mangas, trabalhou e ultrapassou a barreira do nono ano.
Eu sei que nem a DREN nem a ministra jamais saberão o que é ver espelhada a felicidade no rosto de uma menina/adolescente.
Ei sei que jamais saberão a qualidade de professores que têm.
Eu sei que os professores, que tão maltratados são pela tutela e sobretudo por alguns pais que não sabem ser educadores e pela comunicação social que não está lá, não querem o agradecimento, nem a recompensa. Querem, isso sim, o respeito que merecem e a liberdade suficiente para tratarem os meninos e meninas com dignidade e amor.
Há muitos professores que não merecem a dignidade que possuem, mas não é isso que acontece em todas as profissões?
Mas há muitos mais que procuram, nos alunos, o rosto sofrido de Jesus e velam por eles como o Pai velou pelo Filho.
Não lhes tiram o sofrimento.
Dão-lhes a alegria, o sorriso e a mão para que o caminho por onde peregrinam seja mais suave e que o construam como Jesus construiu o Dele até chegar à Paixão