Andante

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Monday, August 21, 2006

Mudança de casa

Olá!

Não voltei para ficar!
Devido a dificuldades de acesso a este blog (azelhices), mudei de casa.
Tem a mesma arrumação desta embora lhe falte ainda muito, mas mesmo muito, para ficar mobilada a meu gosto. Falta de destreza pelos caminhos da blogmania. Quisera colocar no meu cartão de visitas: som (talvez o "Ne me quites pas" de Jacques Brel) e imagem identificativa de mim própria.
Se achas que tenho algum interesse, procura-me em: peregrino-andante, que é aquilo que sou e que sinto.
Bjs a todos e todos que depois de baterem à porta, consigam entrar.

Paz em Cristo.

Tuesday, August 15, 2006

Maria

Quero dizer Sim como tu Maria!

E poder proclamar o teu hino como o recitaste junto da tua prima:

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias,
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.

Permite Mãe que esteja sempre tão disponível quanto tu estiveste.
Amen

Monday, August 14, 2006

Viagem

Aproxima-se o dia da não partida...
Aumenta a angústia e a tristeza, a revolta, o vazio e a solidão.
É duro estar dependente dos senhores da guerra.
É verdade, dos senhores da guerra!
Estava preste a concretizar-se a Peregrinação das peregrinações: Terra Santa.
Sinto-ne cada vez mais Andante-peregrino que passa ao lado das coisas sem as poder experimentar verdadeiramente.
É um sentimento da raiva/infortúnio/revolta.
E vou por aí em busca de algum alento e conforto para a minha "infelicidade"
Desço até ao mar e consumo todo este estupor observando o vai-vem das ondas que alegres correm na areia e saltam felizes a brincar com as rochas que encontram pelo caminho.
Vejo as gaivotas que dançam no ar ao sabor dos ventos em busca de alimento, deixado pela incúria de alguns praistas, para aconchegar os seus estômagos pequeninos.
Delicio-me com as vozes das crianças que correm atrás da bola e desafiam os pais quando fogem para a água.
Deambulo pelo passadiço e vou consumindo o meu desalento.
Paro, observo e resmungo com o Pai que me ouve mas não me responde. Ou melhor, ouve-me e responde-me eu é devo estar surda pois não sinto nada!
Vai cá um desalento!...
A peregrinação não se faz. Não é seguro!
A razão diz-me que sim, está correcto não ir e eu concordo.
Mas o coração...

Embora forçado, já se sente "algum" cessar-fogo. Até quando? Não será artificial?
Os senhores da guerra mandam!
Os inocentes, aqueles que não têm condições para clamar, morrem ou ficam marcados para sempre, tanto na sua forma física como na sua forma psicológica, moral e espiritual.
Quem se preocupa com estes?
E estou eu para aqui a choramingar!...
Ingrata. Deixa de pensar apenas em ti e estende a tua mão àqueles que te inploram por algum carinho, alguma atenção, alguma justiça.

Sunday, August 13, 2006

Domingo

Hoje, na rádio, a Eucaristia terminou com este cântico: Mãe de todos os homens, ensina-nos a dizer Amen.

Entre tantos cânticos de louvor à Mãe este é, sem dúvida, um dos que mais mexe comigo. E porquê? É um cântico de humildade, de um povo que precisa sempre de ajuda. Apela a uma revisão na nossa forma de estar, de ser e de sentir.
O exemplo de Maria é de esperança, partilha, entrega e solidão.
Não sabia muito bem o que é que a esperava quando disse sim.
Nasceu nela a esperança de uma nova Vida, Vida essa que ela sabia, isso sim, que tinha um importante papel a desempenhar.
A esperança de um Filho que vinha para desassossegar, para incomodar, para bradar contra a injustiça, ao lado dos mais pobres e desfavorecidos. Nunca com os poderosos, os acomodados.
Por isso, a par da esperança, surge a partilha.
Partilha desse Filho que fazia as delícias da Mãe, como qualquer filho faz. A mãe espera sempre o bem e a felicidade dos seus filhos. É pelos filhos que fica noites sem dormir e sofre todas as angústias do desconhecimento do seu próprio futuro.
Esperança e partilha! E o mundo em que vivemos cada vez mais egoísta! Cada vez mais a agir de forma atávica e autista, pensando no "eu" e nunca no "nós".
Esperança, partilha, entrega. Entrega de si própria a um projecto sonhado e desejado pelo Pai. Projecto de Vida , Amor, Doação e Salvação.
É então o momento da solidão. Ostracizada pela sociedade da época, pois concebeu fora do casamento. Apontada a dedo por ter dito Sim. Pobres de nós que continuamos a abandoná-la e a condená-la à solidão!
É no meio do maior sofrimento e "abandono" que vê o seu Menino sofrer toda aquela Paixão sem culpa formada. Apenas a vontade dos homens que se sentem ultrapassados pela Palavra e pela Vida deste Homem.
Pobres deles ignorantes!
Não viam que estava ali o Príncipe da Paz?
Não percebiam que estavam a adubar a semente que já tinha sido lançada à terra?
Hoje, na antevéspera da Assunção de Nossa Senhora, quero apenas dizer-te:
Obrigada, Mãe, por teres dito sim.
Ensina-me a dizer: Amen!

Saturday, August 12, 2006

Porque hoje é Sábado...

Porque hoje é Sábado e amanhã é Domingo, como diz o saudoso Vinicius, o Sol brilha com mais cor!
As leituras deste domingo são sugestivas. Falam-nos da importância do pão.
Pão- fonte de alimento das comunidades primitivas.
Pão- vida.
Luta-se pelo pão, trabalha-se para produzir pão, destrói-se em nome do pão.
Mas que pão é estes que as leituras nos trazem?
Elias, desanimado, pelos caminhos do deserto, desiste. O Senhor, através de um mensageiro, dá-lhe pão e água fresca e manda-o prosseguir o caminho.
Caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus...
Outra vez o quarenta! (É importante o quarenta!...)
S. João escreve (as palavras de Jesus):
Eu sou o pão da vida.
[...]
Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
[...]
Quem comer deste pão viverá eternamente.
Naquela época o pão era o mais importante alimento consumido pelas pessoas.
A imagem/símbolo usada por Jesus tem tudo a ver com as necessidades físicas das pessoas, mas vai mais longe, alimentar todos, aqueles e aquelas que não tiveram o privilégio de terem privado com Ele mas que O seguem pelo amor, pelo exemplo de vida, pela entrega.
Porque viste, acreditaste.
Felizes daqueles que sem verem acreditam.
Não O vemos mas sentimos!
Daí a oportunidade da Carta de São Paulo aos Efésios:
Senti o sopro do Espírito Santo e despojai-vos de tudo aquilo que é indigno
. azedume
. irritação
. cólera
. insulto
. maledicência
. toda a espécie de maldade.
Despi do vosso coração tudo aquilo que está errado
Jesus entregou-Se por mim.
E eu?
Quantas vezes olho para o lado e finjo que não vejo?
Então não é mais fácil partir para caminhos menos próprios onde se cultiva o azedume, o ódio, a maledicência,..., ?
É assim que se faz a cultura da guerra: intolerância, afirmação de uma vontade própria feroz e indomável!
A guerra não pode nascer do amor, mas de um autismo atroz que não deixa ver o/a que está do outro lado.
Os bons e os maus!
Quem são os bons? E os maus?
Temos que lutar por uma terra que viva e ame a vida, isto é, uma terra que abra as portas e as janelas à brisa agradável do Espírito de Amor que não nos tolhe mas liberta.
E tudo isto, Porque hoje é Sábado!

Friday, August 11, 2006

Peregrinação

Como queria ter a liberdade da gaivota!
Sair por aí e dançar pelos ares em busca do Infinito.
Poderia partir nas asas do meu sonho e fazer a peregrinação interrompida.
Foi a vontade dos homens!
Ou terá sido a vontade do Pai?
Talvez por isso sinta que a minha peregrinação, de Andante-peregrino, nunca mais se fará como eu gostaria de ter feito.
Rumar a Santiago, fazer o Caminho e sentir a mesma paixão de todos aqueles que o percorreram: fé, busca da verdade e do sentido da vida.
Caminho de crescimento dos povos e da cultura.
Caminho do amor à vida simples e criativa em contacto permenente com o Outro e com os outros.
Caminho de partilha fraterna, de diálogo, de construção.
Então, percorro o caminho da vida, muitas vezes perdida e afundada em angústia e medo.
Se eu tivesse a liberdade da gaivota!?
Podia fugir do bando. Ir à aventura e encontrar, de novo, o rumo da minha peregrinação.
Este é o sentido da minha procura e, perco-mo, perco-me muitas vezes no caminho a seguir. Estudo o mapa e fujo das estradas mais luminosas e serpenteantes, porque mais difíceis de percorrer. Escolho,então, os percursos mais fáceis, aqueles que atravessam a auto-estrada da vida: rápidos, efémeros e inebriantes. Esta é a forma de os enganar e de me enganar a mim.
O Pai está lá. sempre à minha espera. E eu estou cá, a fazer o meu jogo de esconde-esconde. Como se isso é possível!
Pobre Andante-peregrino que te tentas enganar!...
Vá, anda, sai por aí e procura no rosto do teu irmão o rosto Daquele que, de braços abertos, abraçou tudos e todos. Abraçou-te a ti que vagueias pela vida sem norte.
Vá, levanta os olhos e vê Esse rosto feito de Amor e de Entrega naqueles que têm medo, porque não O conhecem e ainda não descobriram que Ele é a Esperança e o Caminho da vida.
Peço-Te, ó Pai, que me ajudes a reencontrar esse Caminho.
Perdoa-me, ó Pai, por olhar mais para "dentro" esquecendo o que está "fora".

Thursday, August 10, 2006

Escola

Fui à escola!
Está sem alma!

Wednesday, August 09, 2006

Porquê?

Hoje vou falar do Miguel.
Outro menino/adolescente, de quinze anos, que tem dançado o "Tango do Aleluia"!
É acólito, frequenta a catequese e é muito querido na sua igreja.
Desde os 9 anos que utiliza um(?) rim doado. Depois do transplante, conheceu uma qualidade de vida até então ignorada, sentiu-se um menino normal.
Deixou a hemodiálise e ara feliz.
Era, porque já não é!
Rebelde, irreverente e dócil.
Amigo, solidário e rebelde.
É propositada a repetição, pois faz de tudo para chamar a atenção e "gritar" bem alto (de uma forma surda e contida) a sua infelicidade.
O problema começou a agudizar-se no momento de fazer projectos para o futuro e procurar saídas para depois do nono ano.
Pois é! O Miguel sente-se banido e castigado pelo Pai.
Joga futebol (o sonho de todos os rapazinhos e adolescentes que vêm no futebol uma vida fácil e de fartura), e é bom!
Fala com a médica que o assiste no hospital. Explica o seu projecto de vida e os seus anseios.
Veredicto:
Futebol nunca! Não podes praticar desporto de alta competição.
Pobre Miguel!
Com catorze anos entra em depressão. Constrói um casulo e fecha-se nele não permitindo a entrada de quem quer que seja que bata à porta.
Manifestou um comportamento em tudo semelhante à bipolaridade.
A rebeldia surgiu mais forte a par do desânimo.
Miguel, abre a porta.
Nada.
É então que começa a provocação:
Está, queres sofrer sozinho, sofre, mas abre um bocado a janela para os raios de sol poderem entrar e a Luz te iluminar.
Sabes, Miguel, a Luz é Jesus e, Esse, sofreu muito mais que tu!
Deu-se então a explosão:
Diga-me. Acha justo o que Deus me está a fazer?
Fala!
Deus deu-me estes talentos: a capacidade de ser bom no futebol.
Sabe que eu sou bom, não sabe?
Claro que sei! Mas, fechou-se a porta, tem que se abrir a janela! Se a Luz não entrar o caminho vai tornar muito duro e praticamente intransponível.
Vamos encontrar soluções em que o desporto/futebol estejam presentes: massagista, treinador, ..., outras actividades relacionadas.
Nova consulta. Nova sondagem. Nada! Miguel tens que seguir outro caminho.
O sofrimento tornou-se maior!
Não bastando isto, falece uma pessoa amiga!
Aí então foi o caos!
O Miguel foge da minha aula durante a prova global!
Então fui eu que dancei o tal "Tango ..."
Depois de ter conseguido dar a volta por cima, trouxe o menino/adolescente de volta.
Castiguei-o um bocadinho!
Obriguei-o a fazer a prova global; não quando lhe dava geito, mas quando achei oportuno.
Neste momento já decidiu o caminho a seguir.
Desporto!
Que o Pai o ajude!

Tuesday, August 08, 2006

Porquê?

Tenho que encontrar o rosto Dele à minha volta, nos irmãos e irmãs!...
Ontem falei da Cláudia.
Hoje quero falar da Soraia!
Tal como a Cláudia, a Soraia tem, agora, 15 anos e, tal como o irmão Andarilho diz, ela também já aprendeu a dançar o "Tango do Aleluia".
Jesus disse ao paralítico: Pega na tua cama e anda. Os teus pecados estão perdoados.
Esta menina/adolescente começou, a partir do sétimo ano a sentir coisas estranhas: dores nas articulações.
Diagnóstico: artrite reumatóide, que não mata , mas mói. E de que maneira!...
Onde mais se nota é nas mãos.
Mãos que começam por fazer inflamações, com grandes inchaços, nas articulações e que se fecham para não mais abrir.
Não escreve, não consegue vestir-se. Está dependente de terceiros.
Ao contrário da Cláudia, que sofre, mas tudo faz para que não se veja, a Soraia chega a ser inconveniente com todos. Tornou-se agressiva, "má", vingativa.
Pergunta muitas vezes: Porquê a Mim?
Tal como o cego de nascença: Quem pecou? Ele ou os pais dele?
Estabelecem-se todos os contactos. Recorre-se à DREN.
Promessas.
Talvez o computador!
Ingénua! É fácil prometer.
E cumprir?
Isso vai ficar para as "Calendas gregas".
Enquanto isso, ela desespera. Sente-se injustiçada, vilipendiada.
Então como fazer?
Não vou dizer como, mas, embora emprestado, teve o computador!
A partir de então, ganhou novo folgo, arregaçou as mangas, trabalhou e ultrapassou a barreira do nono ano.
Eu sei que nem a DREN nem a ministra jamais saberão o que é ver espelhada a felicidade no rosto de uma menina/adolescente.
Ei sei que jamais saberão a qualidade de professores que têm.
Eu sei que os professores, que tão maltratados são pela tutela e sobretudo por alguns pais que não sabem ser educadores e pela comunicação social que não está lá, não querem o agradecimento, nem a recompensa. Querem, isso sim, o respeito que merecem e a liberdade suficiente para tratarem os meninos e meninas com dignidade e amor.
Há muitos professores que não merecem a dignidade que possuem, mas não é isso que acontece em todas as profissões?
Mas há muitos mais que procuram, nos alunos, o rosto sofrido de Jesus e velam por eles como o Pai velou pelo Filho.
Não lhes tiram o sofrimento.
Dão-lhes a alegria, o sorriso e a mão para que o caminho por onde peregrinam seja mais suave e que o construam como Jesus construiu o Dele até chegar à Paixão

Monday, August 07, 2006

Porquê?

Hoje quero falar da Cláudia.
É bonita, inteligente e uma aluna razoável.
Logo no início do ano lectivo (Outubro de 2005) foi conhecido o veredicto, cancro.
Ao fim de vários meses de queixas lá se fez o diagnóstico, não sem antes lhe ter sido dito quer era mimo, ansiedade, enfim, as coisas do costume!...
A adolescente não conseguia engolir.
Começou a emagrecer e houve até quem alvitrasse que era anorexia.
A Cláudia, com catorze anos, conheceu o lado mais negro da vida.
Operação, quimioterapia, queda do cabelo, e o esófafo cada vez mais estreito.
Só se alimenta de papas, daquelas que se dão normalmente aos bebés, mais líquidas que espessas, e, mesmo assim, engasga-se muitas vezes.
Perguntei-lhe muitas vezes:
Estás bem?
Embora triste lá me respondia:
Só queria comer comida...
Já passou por três internamentos para dilatar o esófago.
Sem sucesso.
Já come, muito lentamente, alimentos sólidos e à espera de ser novamente internada para nova dilatação.
Durante o ano lectivo que terminou estabelecemos uma forte cumplicidade entre nós. Dei-lhe "colo", ouvindo-a, trabalhando, fora do horário lectivo, de modo a minimizar-lhe as dificuldades, que não tinha.
Inconscientemente pedia atenção, pedia que alguém mais velho a ouvisse, pedia amor.
Fui à luta por ela.
Não me deixou ficar mal, pois teve apenas uma negativa no final do 9º ano.
Falei com o Pai.
Entreguei-lhe a Cláudia e perguntei-lhe porquê.
Lembrei-me do Evangelho de S. João e do cego de nascença: Quem pecou? Ele ou os pais dele?
Durante esta semana ela vai ao IPO.
Meu Deus não a abandones! Eu fico com o coração pequenino à espera.
Esta é uma das minhas alunas bem-amadas, porque todas e todos eles também são, embora alguns de forma especial, aqueles e aquelas que sofrem ou estão a sofrer e encontram em mim a canoa que os vai ajudar a passar o Jordão.

Sunday, August 06, 2006

Mais um dia!
Conversa interessante!
Hoje a Igreja celebra a Transfiguraçao do Senhor. É este o nosso padroeiro e tanta falta de sensibilidade das pessoas.
A igreja tinha lugares livres e é tão pequena...
Por mais que o padre convide os paroquianos à festividade, a praia chama mais forte.
Convenhamos que o tempo também convida. Está cá um calor!...
A peregrinação/caminhada, de ontem à noite, correu bem. Não houve desistentes apesar do ritmo imposto durante todo o percurso. Caminhou-se certinho e com poucas paragens, apenas para:
- momento de oração
-dessedentar os sequiosos.
Ao longo do percurso sentia-se a vontade de chegar ao fim e "gritar" missão cumprida.
Houve dificuldades.
Onde é que não há dificuldades?
Para chegar ao Pai temos que lutar contra essas mesmas dificuldades, e não são poucas. Contudo, uma estrada em linha recta é uma estrada monótona, é uma estrada que convida a uma velocidade de cruzeiro e ao adormecimento.
No fim da jornada aconteceu o imprevisto. Estavam lá para nos acolher o grupo de jovens. Fizeram-no com festa e alegria, como os jovens sabem fazer, convidando-nos de seguida para um momento de oração que além de bem preparado reconfortava o cansaço de uma caminhada de mais ou menos 20 km (eu não me posso queixar do cansaço, levei o meu carro. Ah! também servi de motorista na hora do regresso e prestei algum apoio durante o percurso. Alguns têm, por vezes, mais facilidade que outros para chegarem ao fim e eu tinha-me comprometido a levar uma criança de cinco anos. Claro que tudo isto são desculpas. O meu caminho foi de carro pois no ano transacto fiquei com bolhas ao fim de três ou quatro quilómetros e por que estou com um problema muscular na perna direita.).
Voltando atrás, depois da oração que foi muito bonita e sentida, convidaram-nos para um pequeno lanche/piquenique no relvado da capela.
Que simpáticos!...
Aqui sentiu-se Igreja, solidariedade, partilha e entrega.
Depois de alimentados tanto o espírito como o corpo, alguns dos nossos jovens, a convite daqueles que nos receberam foram até ao mar. Não ficaram assustados com a escuridão e permitiram que as ondas lhes resfrescassem os pés e as calças..
Já tarde, começou a pensar-se no regresso e, chegou a aflição, não havia transporte para todos (mas ninguém ficou a dormir na praia, todos regressaram a casa para o merecido descanso. Contudo, a noite foi curta...)
De manhã, que sono!
Toca a levantar.
Vamos para a tômbola e para a Eucaristia que foi solene.
Às vezes cansa ser cristão...
Cansa porque há compromissos e responsabilidades que não podem ficar sem resposta.
Que vontade, às vezes, de ficar na cama a descansar e a ler um livro...
Mas vai-se e com alegria pois os outros não têm culpa do nossos estados de espírito e, depois de lá estar, está-se bem.
Há algo de secreto que apela à nossa presença e que nos faz sentir bem com o outro, logo, com Cristo.
Só Ele para nos movimentar.
Só Ele, que pelo exemplo, nos guia, tal como um rio (Nahar) em direcção à Luz, ao Amor, à verdade.

Saturday, August 05, 2006

Pois é, cheguei.
O caminho não foi fácil...
Faltam-me as palavras para conseguir exprimir tudo o que sinto.
Raiva, tristeza, solidão...
Raiva porque as pessoas não se entendem.
Reza-se pela paz.
É bonito!
Assumem-se compromissos.
É bonito!
Mas na altura de lhes dar a cara, bem, aí entra a confusão.
Porquê e para quê impor vontades?
Porque não permitir a criatividade e o respeito pelo outro?
Caramba! da raiva chega-se à tristeza.
Guerra? Guerras?
Guerrinhas!
Só importa a nossa vontade, o nosso eu, porque a vontade e o eu do outro são secundárias.
Vivemos em Igreja ou em igrejinhas (capelinhas)?
Será que a mensagem não passa?
Ou então passa, mas apenas para o vizinho do lado.
Penso, sinto e enfureço-me sempre que ouço dizer:
Devias ter ouvido o padre. Disse coisas importantes para reflectires.
Ou então:
O padre, hoje, disse coisas importantes para te ajudar (impor) a mudar de vida.
Porque é que há-de ser sempre o mesmo a mudar?
As carapuças só enfiam ao outro? Àquele que não está presente?
Lá passo de novo à raiva!
E peco.
Peco porque, embora não diga nada, nem responda, fico a remoer imprecações e a praguejar baixinho.
Será que é isto ser cristã?
Porque não sou capaz de dar a outra face?
Chega então o terceiro momento, o da solidão, do isolamento.
Meu Deus! Como queria ser um modelo vivo e testemunha do Teu Filho.
Tenho que aprender a crescer cada vez mais em direcção a Ti mas cada vez mais frequentemente me faltam as forças e a coragem.
Perdoa.