Andante

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Monday, February 19, 2007

O sentido da vida

Ofereceram-me no Natal um livro, não muito grande, mas que contém muita sabedoria.
Chama-se A Saga de um Pensador, A Paixão pela vida, de Augusto Cury.
Vou transcrever um bocadinho que me deixou sem palavras e que quero partilhar.

Muitos dos que têm morada certa passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser. São forasteiros para si mesmos. Por isso, são incapazes de corrigir as suas rotas e superar as suas loucuras.

Parei e fiquei a pensar nisto.
Vida/vidas sem sentido que não têm tempo para se pensarem e reconstruirem.
São forasteiros para si mesmos.
Passam pela vida a correr sem nunca lhe descobrirem o sentido nem lhe descobrirem a paixão nem a viverem com paixão.
Vida sem sentido que se afastou da Luz e do calor.
Vida sem sentido em que se deixam manipular e manietar pelo ter.
E tão altruístas!
Pensam no bem dos outros para servirem o seu próprio bem.
Vestem-se de altruístas para consolarem o seu ego.
E há tantos!

Por isso, são incapazes de corrigir as suas rotas e superar as suas loucuras.
Perderam o sentido da vida e do eu.
Correm para aqui, correm para acolá, de modo a sentirem-se satisfeitas com uma vidinha cheia de nada.
Esqueceram-se que as ilhas desertas já deram o que tinham a dar e que os descobrimentos puseram tudo a nu.
Há tanta falta de coragem de se olharem no espelho!
O espelho da alma que deixa entrever as mazelas e as rugas estampadas num rosto feito de loucuras e sem destino.
As rotas da alma, que sendo sinuosas, que nos mostram o Rosto de um Pai de Amor, de Alegria, de Fé e
passam pela existência sem nunca percorrer as avenidas do seu próprio ser.
É verdade que estas avenidas não têm fim. Ou melhor, têm um fim, chegar a casa do Pai. Partilhar com Ele, numa outra dimensão, a glória da felicidade eterna.

É tão fácil dizer e perceber isto!
É tão difícil vivê-lo!
Neste momento preciso de força e coragem para enfrentar a realidade...


Wednesday, February 07, 2007

sétimo G

Tenho que falar do sétimo G.
Logo no início do ano prometiam...
Indisciplinados, sem regras e malcriados.
Ofereciam na cara aos professores quando eram contrariados.
Claro que choveram as participações disciplinares e as consequentes sanções: suspensão de toda a actividade lectiva, bem como a proibição de permanecer dentro da escola.
Nada resultou.
As atitudes eram cada vez mais insolentes e de confronto.
Os testes eram tidos como mais um passatempo em que se entretinham a fazer o jogo do galo e desenhos de símbolos fálicos, para me afrontar.
Deixei andar e fui tomando as medidas possíveis para minimizar os problemas de comportamento.
As aulas eram um tormento e sem coerência, tantas as vezes que era necessário interromper para mandar calar ou respeitar os colegas interessados.

Até que algo aconteceu!...
Houve necessidade de eleger um novo sub-delegado. O anterior tinha mudado de escola para fugir a uma turma que ninguém conseguia controlar. Saiu um bom aluno mas salvou-se da barafunda um adolescente.
Depois de informados sobre as características de um representante, procedeu-se à eleição. O aluno mais votado foi o Vítor.
O Vítor esteve suspenso, este ano lectivo, várias vezes e é o líder. De carneirada, o grupo que lidera, obedecia-lhe e obedece-lhe cegamente. Tudo o que ele diz é lei.
Este é um aluno com necessidade de mimo e muita, muita atenção.
A directora de turma ficou perplexa perante a votação e, se houver motivo para tal, com a possibilidade de não acatar a vontade da turma.
Claro que a votação estava viciada.
Esta foi uma forma de testar a professora.
Depois de ter conversado com os alunos, levanta-se o Vítor e diz-lhe:
Dê-me uma oportunidade que não se vai arrepender.
E não é que é verdade?
Ficou, de repente, responsável!
Não admite que fiquem papéis ou outro tipo de sujidade no chão da sala de aula.
Manda calar para que as aulas decorram com normalidade.
Vai às aulas de apoio.
Estuda.
Mas ainda responde com muitas asneiras...

Fica a minha reflexão:
Por vezes é preciso tão pouco para ter tanto!
Ao Vítor foi apenas necessário confiar e dar-lhe alguma responsabilidade para que ele se transformasse.
E nós sempre a teimar em não ver que o que eles precisam é mesmo de colo e atenção.

Que grande lição eu aprendi nestes últimos tempos...


Monday, August 21, 2006

Mudança de casa

Olá!

Não voltei para ficar!
Devido a dificuldades de acesso a este blog (azelhices), mudei de casa.
Tem a mesma arrumação desta embora lhe falte ainda muito, mas mesmo muito, para ficar mobilada a meu gosto. Falta de destreza pelos caminhos da blogmania. Quisera colocar no meu cartão de visitas: som (talvez o "Ne me quites pas" de Jacques Brel) e imagem identificativa de mim própria.
Se achas que tenho algum interesse, procura-me em: peregrino-andante, que é aquilo que sou e que sinto.
Bjs a todos e todos que depois de baterem à porta, consigam entrar.

Paz em Cristo.

Tuesday, August 15, 2006

Maria

Quero dizer Sim como tu Maria!

E poder proclamar o teu hino como o recitaste junto da tua prima:

A minha alma glorifica o Senhor
e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos na humildade da sua serva.
De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações.
O Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
Santo é o seu nome.
A sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem.
Manifestou o poder do seu braço
e dispersou os soberbos.
Derrubou os poderosos de seus tronos
e exaltou os humildes.
Aos famintos encheu de bens
e aos ricos despediu de mãos vazias,
Acolheu a Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.

Permite Mãe que esteja sempre tão disponível quanto tu estiveste.
Amen

Monday, August 14, 2006

Viagem

Aproxima-se o dia da não partida...
Aumenta a angústia e a tristeza, a revolta, o vazio e a solidão.
É duro estar dependente dos senhores da guerra.
É verdade, dos senhores da guerra!
Estava preste a concretizar-se a Peregrinação das peregrinações: Terra Santa.
Sinto-ne cada vez mais Andante-peregrino que passa ao lado das coisas sem as poder experimentar verdadeiramente.
É um sentimento da raiva/infortúnio/revolta.
E vou por aí em busca de algum alento e conforto para a minha "infelicidade"
Desço até ao mar e consumo todo este estupor observando o vai-vem das ondas que alegres correm na areia e saltam felizes a brincar com as rochas que encontram pelo caminho.
Vejo as gaivotas que dançam no ar ao sabor dos ventos em busca de alimento, deixado pela incúria de alguns praistas, para aconchegar os seus estômagos pequeninos.
Delicio-me com as vozes das crianças que correm atrás da bola e desafiam os pais quando fogem para a água.
Deambulo pelo passadiço e vou consumindo o meu desalento.
Paro, observo e resmungo com o Pai que me ouve mas não me responde. Ou melhor, ouve-me e responde-me eu é devo estar surda pois não sinto nada!
Vai cá um desalento!...
A peregrinação não se faz. Não é seguro!
A razão diz-me que sim, está correcto não ir e eu concordo.
Mas o coração...

Embora forçado, já se sente "algum" cessar-fogo. Até quando? Não será artificial?
Os senhores da guerra mandam!
Os inocentes, aqueles que não têm condições para clamar, morrem ou ficam marcados para sempre, tanto na sua forma física como na sua forma psicológica, moral e espiritual.
Quem se preocupa com estes?
E estou eu para aqui a choramingar!...
Ingrata. Deixa de pensar apenas em ti e estende a tua mão àqueles que te inploram por algum carinho, alguma atenção, alguma justiça.

Sunday, August 13, 2006

Domingo

Hoje, na rádio, a Eucaristia terminou com este cântico: Mãe de todos os homens, ensina-nos a dizer Amen.

Entre tantos cânticos de louvor à Mãe este é, sem dúvida, um dos que mais mexe comigo. E porquê? É um cântico de humildade, de um povo que precisa sempre de ajuda. Apela a uma revisão na nossa forma de estar, de ser e de sentir.
O exemplo de Maria é de esperança, partilha, entrega e solidão.
Não sabia muito bem o que é que a esperava quando disse sim.
Nasceu nela a esperança de uma nova Vida, Vida essa que ela sabia, isso sim, que tinha um importante papel a desempenhar.
A esperança de um Filho que vinha para desassossegar, para incomodar, para bradar contra a injustiça, ao lado dos mais pobres e desfavorecidos. Nunca com os poderosos, os acomodados.
Por isso, a par da esperança, surge a partilha.
Partilha desse Filho que fazia as delícias da Mãe, como qualquer filho faz. A mãe espera sempre o bem e a felicidade dos seus filhos. É pelos filhos que fica noites sem dormir e sofre todas as angústias do desconhecimento do seu próprio futuro.
Esperança e partilha! E o mundo em que vivemos cada vez mais egoísta! Cada vez mais a agir de forma atávica e autista, pensando no "eu" e nunca no "nós".
Esperança, partilha, entrega. Entrega de si própria a um projecto sonhado e desejado pelo Pai. Projecto de Vida , Amor, Doação e Salvação.
É então o momento da solidão. Ostracizada pela sociedade da época, pois concebeu fora do casamento. Apontada a dedo por ter dito Sim. Pobres de nós que continuamos a abandoná-la e a condená-la à solidão!
É no meio do maior sofrimento e "abandono" que vê o seu Menino sofrer toda aquela Paixão sem culpa formada. Apenas a vontade dos homens que se sentem ultrapassados pela Palavra e pela Vida deste Homem.
Pobres deles ignorantes!
Não viam que estava ali o Príncipe da Paz?
Não percebiam que estavam a adubar a semente que já tinha sido lançada à terra?
Hoje, na antevéspera da Assunção de Nossa Senhora, quero apenas dizer-te:
Obrigada, Mãe, por teres dito sim.
Ensina-me a dizer: Amen!

Saturday, August 12, 2006

Porque hoje é Sábado...

Porque hoje é Sábado e amanhã é Domingo, como diz o saudoso Vinicius, o Sol brilha com mais cor!
As leituras deste domingo são sugestivas. Falam-nos da importância do pão.
Pão- fonte de alimento das comunidades primitivas.
Pão- vida.
Luta-se pelo pão, trabalha-se para produzir pão, destrói-se em nome do pão.
Mas que pão é estes que as leituras nos trazem?
Elias, desanimado, pelos caminhos do deserto, desiste. O Senhor, através de um mensageiro, dá-lhe pão e água fresca e manda-o prosseguir o caminho.
Caminhou durante quarenta dias e quarenta noites até ao monte de Deus...
Outra vez o quarenta! (É importante o quarenta!...)
S. João escreve (as palavras de Jesus):
Eu sou o pão da vida.
[...]
Eu sou o pão vivo que desceu do Céu.
[...]
Quem comer deste pão viverá eternamente.
Naquela época o pão era o mais importante alimento consumido pelas pessoas.
A imagem/símbolo usada por Jesus tem tudo a ver com as necessidades físicas das pessoas, mas vai mais longe, alimentar todos, aqueles e aquelas que não tiveram o privilégio de terem privado com Ele mas que O seguem pelo amor, pelo exemplo de vida, pela entrega.
Porque viste, acreditaste.
Felizes daqueles que sem verem acreditam.
Não O vemos mas sentimos!
Daí a oportunidade da Carta de São Paulo aos Efésios:
Senti o sopro do Espírito Santo e despojai-vos de tudo aquilo que é indigno
. azedume
. irritação
. cólera
. insulto
. maledicência
. toda a espécie de maldade.
Despi do vosso coração tudo aquilo que está errado
Jesus entregou-Se por mim.
E eu?
Quantas vezes olho para o lado e finjo que não vejo?
Então não é mais fácil partir para caminhos menos próprios onde se cultiva o azedume, o ódio, a maledicência,..., ?
É assim que se faz a cultura da guerra: intolerância, afirmação de uma vontade própria feroz e indomável!
A guerra não pode nascer do amor, mas de um autismo atroz que não deixa ver o/a que está do outro lado.
Os bons e os maus!
Quem são os bons? E os maus?
Temos que lutar por uma terra que viva e ame a vida, isto é, uma terra que abra as portas e as janelas à brisa agradável do Espírito de Amor que não nos tolhe mas liberta.
E tudo isto, Porque hoje é Sábado!